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t r i c i c l o ck

t r i c i c l o ck

25 Mar, 2020

Casa

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Preparo já a casa onde vou morrer.

Reservo um espaço para os meus livros.

Já não preciso de os catalogar,

quero apenas que repousem nas estantes.

 

Desejo que a luz do poente

ilumine o quarto de dormir,

 e quero persianas que a regulem.

 

No andar de cima,

quero uma açoteia de vaga reminiscência

árabe,

coberta pelo céu azul que contemplarei.

 

A levante, como selo da origem,

sentirei as ameias restauradas do castelo

celebrando a glória desnecessária

e a falsidade das coisas passageiras.

 

Para sul, vejo os planos falhados.

 

Do terraço, além do laranja crepuscular do ocidente,

vejo em todo o redor da casa,

rodopiando infantil por entre as laranjeiras

e o jardim das ervas aromáticas,

o cão que comprarei.

Talvez um labrador ou um pastor alemão

(jamais um galgo),

que um dia jazerá a meus pés.

 

Quando os meus filhos chegarem

Do norte, tardios e lacrimosos,

dormirei já.